A pesquisadora de Segurança Pública e Ações Sociais à Cidadania, Thalía Oliveira, de apenas 23 anos que já esteve nos batalhões especiais da PMERJ e possui duas condecorações: Diploma de Amiga do 5° Batalhão Coronel Assunção concedido pelo PM Ten Cel Caetano e Brasão da PMERJ concedido pelo PM Cel Laviano, na época, Comandante Geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro.
A jovem que é defensora do modelo de Polícia Comunitária explica que existe uma diferença entre UPP e Polícia Comunitária: "As Upps tem como premissa o controle do local que antes era dominado por marginais. Já a Polícia Comunitária tem como foco aproximar o policial da sociedade em todo o Estado de modo geral."
Além disso a jovem que é caiçara natural de Paraty e vem de uma família de pescadores artesanais, ressalta a importância da educação e de projetos sociais: "Você não faz Segurança Pública sozinho, porque é uma responsabilidade de todos, isso não sou eu quem digo, tá escrito na constituição.
Não tem como você falar de favela, se você nunca pisou em uma, não dá pra ficar na teoria dos livros, tem que viver a pista, viver a realidade do outro pra poder falar. Tem que conhecer. Você não resolve um problema, um conflito, se você não for no ponto de partida que começa o problema. Pra resolver tem que dar a cara a tapa e deixar bater dos dois lados.
É igual minha vó diz: "você não vai saber se tem peixe, se você não pôr a rede no cerco."
Você nunca vai saber o cotidiano da favela e da polícia se você não conviver, vivenciar. São duas realidades diferentes e cada uma com seu próprio desafio.
Não dá pra fazer segurança pública sem educação, se combate a violência, a criminalidade, com educação, com incentivo a cultura local, com esporte e com projetos sociais que oferecem aos moradores da comunidade uma perspectiva de vida diferente da qual eles estão acostumados a viver.
Você não combate violência com violência.
Sou contra o abuso de poder, acho inadmissível.
Não se deve generalizar quem mora na favela, não deveria existir esse preconceito com as pessoas que moram na favela, não é porque você mora lá que você é bandido. As coisas precisam mudar.
Meu amigo, Binho Cultura sempre diz que "a nossa facção é a cultura" porque ele é de Vila Aliança e lá tem facção mas ele é um cara que transita em todas as favelas porque ele é um cara que resgata os jovens, entende? Então as pessoas respeitam ele, o trabalho dele e a história dele. E Ele é uma referência pra mim no quesito Segurança Pública porque ele dialoga com os dois lados, a favela e a polícia, ele une as duas coisas, e eu tô nessa mesma linha.
Thalía bate na tecla novamente sobre a importância de projetos sociais e diz:
"Eu estive na UPP Providência, e lá os policiais dão aula de reforço escolar, jiu jitsu e música para as crianças da comunidade, mas isso não sai nos jornais, então poucas pessoas sabem que isso acontecem lá, não mostram o lado bom da polícia. Essa ação da UPP que agora tem o nome de UPP Social (Unidade de Polícia de Proximidade) visa fortalecer a integração da policia com a sociedade, e isso é de suma importância para nós.
Por exemplo na favela, um DPO da PM desativado foi transformado em biblioteca comunitária dentro da favela de Antares, proporciona o incentivo a leitura para as crianças e ali eles vêem que através da educação podemos transformar vidas, quantos DPO's desativados poderiam virar biblioteca comunitária e fomentar as políticas públicas dentro das favelas?
Essa iniciativa é do escritor Jessé Andarilho e nós podemos somar com esse projeto, assim como o Estado também deve somar.
Por exemplo, na favela do Cesarão tem o WG que tem um projeto chamado "cultura na cesta", ele une o esporte e a educação, com uma caneta e uma bola de basquete ele manda várias rimas, isso é incrível porque ele oferece o esporte mas também te possibilita a criar poesias, faz você descobrir que você é capaz de algo, te desperta um talento.
Eu por exemplo quando fui para o Rio de Janeiro não tinha condições de fazer aulas de ballet porque é 300 reais uma aula, em Paraty eu era de um projeto social o Educar pela Dança da Cia Dança e Arte Paraty e então eu fui dar aula na comunidade de Santa Teresa em um projeto social lá, porque ao mesmo tempo que eu ensino o que eu sei, eu também tô fazendo aula.
É maravilhoso compartilhar conhecimento. Sabe? Eu adoro isso.
As pessoas me vêem como inspiração. Todo mundo é capaz, a gente só precisa de uma oportunidade.
Sabe, eu gosto disso, de ir e sentir na pele como é pra poder falar. Porque eu gosto de fazer ações, pra mim, Segurança Pública não é ficar sentado na cadeira só dando ordens, é ir até a população da comunidade e se apresentar e dizer: "eu sou o comandante deste Batalhão e as portas estão abertas para vocês caso precisem nos demandar algo, eu tô aqui pra ajudar."
A comunidade precisa te conhecer, saber quem é você e saber que pode contar com alguém ali, que existe alguém pra garantir ali os direitos fundamentais, os direitos básicos e respeitar os direitos humanos.
Um projeto que eu gosto muito é o do 5° Batalhão, eles tem um projeto social de jiu jitsu que proporciona as crianças e adolescentes da comunidade que o Batalhão cerca, a fazerem aulas. Isso aproxima a sociedade da polícia e eles conhecem um lado da policia que nunca esteve e nunca está nos jornais.
É isso, segurança pública se constrói junto. E tem que ter diálogo entre as duas vias e conhecer a realidade das duas partes da moeda."
O Rio de Janeiro é uma cidade com o maior índice de criminalidade mas através dessa entrevista podemos ver que a Segurança Pública vai avançar e precisamos de Jovens iguais à Thalía, dispostos e cheios de vontade de mudança.





É isso ai, Thalia! Vc é um orgulho para todos nós! Sua caminhada é e continuará sendo de muito sucesso! Parabéns e avante!!!
ResponderExcluirGratidão, meu amor! Com o apoio de pessoas essenciais igual à você poderei seguir firme e forte.
ExcluirAmadinha de xáy que orgulho minha linda ❤
ResponderExcluirDeus continue te abençoando, vc é uma menina de ouro
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