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28 abril 2020

   

Fiocruz faz vigilância de Sars-CoV-2 em esgotos sanitários em Niterói 

                                                                     Vinicius Ferreira (IOC/Fiocruz)

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a prefeitura de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, iniciaram um estudo para verificar a presença de material genético do novo coronavírus (Sars-CoV-2) em amostras do sistema de esgotos da cidade. O objetivo é acompanhar o comportamento da disseminação do vírus ao longo da pandemia de Covid-19.
Considerando que evidências científicas recentes mostram que o novo coronavírus é excretado em fezes, o projeto utiliza a análise de amostras de esgotos como um instrumento de vigilância, permitindo identificar regiões com presença de casos da doença, mesmo os ainda não notificados no sistema de saúde. O monitoramento ambiental realizado pela Fiocruz, que desenvolve atividades de pesquisa na área de Virologia Ambiental há mais de 15 anos, está alinhado com estudos científicos internacionais, que têm demonstrado a importância da vigilância baseada em esgotos para a detecção precoce de novos casos de Covid-19.
Pesquisadoras da Fiocruz em atividade de coleta de amostras provenientes da rede coletora de esgotos, em Niteroi (foto: Josué Damacena, IOC/Fiocruz)

As primeiras coletas foram realizadas no dia 15 de abril. Estão sendo coletadas amostras de esgoto bruto em 12 pontos georreferenciados e estrategicamente distribuídos pela cidade de Niterói, incluindo estações de tratamento de esgotos (ETEs), pontos de descarte de efluente hospitalar e rede coletora de esgotos, nos bairros de Icaraí, Jurujuba, Camboinhas, Maravista, Sapê e nas comunidades do Palácio, Cavalão, Preventório, Vila Ipiranga, Caramujo, Maceió e Boa Esperança. A previsão é de que, na primeira etapa do projeto, o monitoramento seja realizado durante quatro semanas, com possibilidade de prorrogação.
Os resultados iniciais evidenciam a eficácia da metodologia na ampliação da vigilância de propagação do novo coronavírus. Na primeira semana, foi possível detectar material genético do novo coronavírus em amostras de esgotos em cinco dos 12 pontos de coleta: três poços de visita (PVs) de troncos coletores do bairro de Icaraí e nas entradas da ETE Icaraí e ETE Camboinhas. Como metodologia, utilizou-se o método de ultracentrifugação, tradicionalmente empregado para concentração de vírus em esgotos, associado a técnica de RT-PCR em tempo real, indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). As amostras coletadas na segunda e terceira semanas estão em fase processamento.
As análises são realizadas pelo Laboratório de Virologia Ambiental e Comparada do IOC (foto: Josué Damacena, IOC/Fiocruz)

As análises são lideradas pelo Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), em colaboração com o Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo, também do IOC/Fiocruz. O planejamento e realização das coletas é feito pelo Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), em colaboração com a concessionária Águas de Niterói, que opera os serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos da cidade.
“O monitoramento da circulação do novo coronavírus durante a epidemia subsidiará informações para a vigilância em saúde, permitindo otimizar o uso dos recursos disponíveis e fortalecer medidas de profilaxia na área, uma vez que a investigação sistemática da presença do material genético do vírus na rede de esgotos sanitários pode fornecer um retrato da presença de casos positivos em determinada localidade, incluindo assintomáticos e subnotificados no sistema de saúde. Este estudo confirma a importância da vigilância baseada em águas residuárias como uma abordagem promissora para entender a ocorrência do vírus em uma determinada região geográfica, assim como a inserção da Virologia Ambiental nas Políticas Públicas de Saúde”, explica a pesquisadora Marize Pereira Miagostovich, chefe do Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do IOC/Fiocruz e responsável pela pesquisa.
“Mais uma vez, a Fiocruz direciona especial atenção no enfrentamento de um problema de saúde pública, na busca de respostas que possam ser diretamente aplicadas para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS). Nossa experiência em virologia ambiental será somada aos esforços do excelente trabalho desempenhado pelo centro de referência da Fiocruz em diagnóstico laboratorial do novo coronavírus, que estima a quantidade de pessoas infectadas pela doença”, completa Miagostovich.
A virologista ressalta que até o momento não existem evidências científicas sobre a possibilidade de transmissão do novo coronavírus por rota fecal-oral, a exemplo do que acontece em outras doenças de transmissão hídrica causadas por vírus, bactérias e protozoários. “Nossas análises detectam a presença de fragmentos de material genético do vírus, indicando que existe presença de casos positivos em determinada localidade. Porém, ainda não há evidências na literatura científica de que, quando excretado nas fezes, o vírus ainda esteja viável para infectar outras pessoas”, esclarece. Até o momento, a via respiratória é o principal modo de transmissão, através de gotículas respiratórias geradas pela tosse ou espirros.
De acordo com o secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão da Prefeitura de Niterói, Axel Grael, a união do conhecimento científico com o de política pública vai contribuir para o fortalecimento das estratégias de saúde da cidade no enfrentamento da pandemia. “Estabelecer vários pontos de coleta na cidade nos permite verificar que comunidades têm uma incidência maior do coronavírus, a partir das amostras do esgoto, mesmo que a localidade apresente muitas pessoas assintomáticas. Como a Prefeitura está iniciando um programa amplo, de testagem, e nosso objetivo é priorizar justamente as comunidades, o resultado dessa pesquisa pode estabelecer prioridades entre as comunidades por onde a gente deve começar a testagem”, pondera o secretário e ambientalista.
Para a pesquisadora Camille Mannarino, da Ensp/Fiocruz, o estudo reforça a importância da relação entre saneamento e saúde. “O monitoramento de Covid-19 em esgotos sanitários tanto subsidia ações regionalizadas de contenção da transmissão quanto permite antecipar a mobilização da atenção primária em saúde em determinada localidade onde a circulação viral seja detectada previamente pelo monitoramento dos esgotos”, ressalta.
No entanto, ela destaca que este tipo de vigilância apenas é possível nos municípios em que uma parcela significativa da população é atendida por rede coletora de esgotos e a operadora do serviço tem controle sobre o sistema. “No caso de Niterói, a cobertura da rede de esgotos é de 95%. A adequada coleta e tratamento de esgotos também são fundamentais para a não contaminação de águas de abastecimento e recreação”, justifica a engenheira sanitarista.

02 abril 2020

Favelas de São Gonçalo criam movimento 

contra o coronavírus


Quatro organizações de diferentes regiões de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, estão se unindo para elaborar e distribuir kits de higiene e cestas básicas para a população mais carente do município durante a pandemia do coronavírus.
A Secretaria Municipal de Saúde confirmou na última sexta-feira (27) o quinto caso de coronavírus na cidade. O número de casos suspeitos, que até semana passada era de 380, aumentou para 660.
Quatro organizações comunitárias (Nós por Nós – Por Mais Direitos e Menos Desigualdade Social (NPN)Por Gentileza, Comunidade Viva e Isoporzinho da Prevenção) se juntaram e criaram a rede #NaMinhaFavelaNão, com o apoio do coletivo África em Nós.
A iniciativa busca arrecadar detergente, água sanitária, sabonete, sabão em barra, sabão em pó e alimentos, além de valores em dinheiro via depósito, para ajudar a população das favelas a atravessar a crise provocada pela Covid-19.
A quarentena tem mudado os hábitos também dos comerciantes locais. De acordo com moradores do bairro Jardim Catarina, mercados estão parando as pessoas na porta para que higienizem as mãos e os carrinhos de compra com álcool. Além disso, farmácias toparam ser ponto de arrecadação do movimento #NaMinhaFavelaNão.
“O movimento não fica restrito só a nós que tivemos a iniciativa, queremos e precisamos do apoio de quem se interessar”, diz Emerson Rodrigues, 23, representante do Nós por Nós, que atende a comunidade do Jardim Catarina. “Muitas vezes, pensamos que estamos passando por dificuldade, mas tem pessoas que enfrentam situações de extrema pobreza e que precisam muito mais de ajuda. O intuito é tentar fazer com que o pouco que sobra de alguém se torne muito pra quem não tem nada”.
Segundo Thamiris Santos, 28, idealizadora do Por Gentileza, projeto que atende a região onde fica o antigo lixão de Itaoca, as doações serão feitas de maneira a reduzir o risco de contaminação pelo novo coronavírus.
“As entregas serão feitas com equipes reduzidas e equipamentos de prevenção para evitarmos aglomerações e possíveis contágios. Pretendemos fazer uma entrega rápida para logo voltarmos para casa”.
De acordo com Kássia Rapella, 30, representante do Comunidade Viva e do Isoporzinho da Prevenção, que atende a área de Neves, o comércio da região também aderiu ao uso de álcool para os clientes e ao de luvas e máscaras para funcionários.
Com as medidas de isolamento social, porém, muitas famílias da região ficaram sem renda. “As pessoas que a gente atende em Neves dependem da circulação da cidade para fazer renda. Algumas são analfabetas, têm escolaridade baixa ou vivem em condições precárias”, diz Kássia. “Há guardadores de carro, pessoas que limpam o quintal dos outros, entre outros serviços autônomos que dependem de movimento nas ruas”.
As doações de itens de higiene e alimentos são recebidas em pontos de arrecadação no Jardim Catarina, em São Gonçalo: Chic Farma (Avenida Albino Imparato, 866, entre as ruas 17 e 18), Drogarias Moreira (Avenida Albino Imparato, Lt 15 Qd 129, ao lado do SuperMarket) e Drograrias Pratodos (Avenida Albino Imparato, 1.450, em frente à praça da Lona Cultural).
Doações em dinheiro são recebidas nas contas abaixo:
  • Banco do Brasil: ag. 0072-8, conta 95928-6, Kassia Fonseca Rapella
  • Banco Itaú: ag. 7769, conta 16229-3, Symone Cordeiro dos Santos Azevedo
  • Banco Bradesco: ag. 2034, conta 0004839-9, Nelson Luis Gonçalves Costa
  • Banco: Caixa Econômica Federal, ag. 0889, conta poupança 02300008992-7, Symone Cordeiro dos Santos Azevedo
fonte: favela em pauta

Radialista Robson oliveira faz lançamento da pré-candidatura a deputado federal

  Em evento na tarde deste sábado dia 16  onde reuniu mais de 2 mil pessoas  no clube fluminense  no centro de macaé. O radialista Robson ol...